ThinkCentre M720q no homelab: o que eu compraria de novo

Todo o meu homelab roda num ThinkCentre M720q com 6 núcleos e 24 GB. O que eu compraria de novo, o que faria diferente e o próximo passo: cluster.

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Lenovo ThinkCentre M715q Tiny, preto, sobre uma mesa branca
ThinkCentre M715q, mesmo gabinete do M720q. Foto: Alexey Vazhnov, CC BY-SA 4.0 (original).
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Todo o meu homelab roda numa máquina do tamanho de um livro: um Lenovo ThinkCentre M720q. São um Intel Core i5-8400T de 6 núcleos, 24 GB de RAM, um SSD de 1 TB e um HD de 1 TB para backups. Nela rodam o Proxmox, todos os meus containers e a VM que serve de porta de entrada, e o conjunto todo, com modem e roteador, consome entre 30 W e 50 W.

Depois de um bom tempo com ela, este é o balanço: o que eu compraria de novo, o que mudaria e o que vem a seguir.

Por que um mini PC corporativo #

O M720q faz parte da linha “Tiny” da Lenovo: computadores corporativos pequenos que as empresas compram aos milhares e depois trocam. Isso cria um mercado grande de máquinas usadas em bom estado, e é por isso que essa família aparece em tantos homelabs.

Para quem está começando, três qualidades pesam:

  • Consumo baixo: os processadores das versões mais comuns são da linha “T”, feitos para gastar pouco.
  • Silêncio e tamanho: cabe numa prateleira, ao lado do roteador, sem barulho de servidor.
  • Peças padrão: memória, SSD e HD são componentes comuns de notebook e desktop, fáceis de trocar.

O que tem dentro #

Pela documentação da Lenovo e de fabricantes de memória, o M720q tem:

ItemThinkCentre M720q
Memória2 slots SO-DIMM DDR4, máximo de 32 GB
Armazenamento1 slot M.2 NVMe e 1 baia de 2,5" SATA
ProcessadorIntel Core de 8ª geração da linha T (o meu é um i5-8400T)
Placa-mãe de um ThinkCentre M715q Tiny aberto, com os dois slots de memória SO-DIMM, o slot M.2 e o conector SATA
ThinkCentre M715q aberto, mesmo gabinete do M720q. Foto: Alexey Vazhnov (CC BY-SA 4.0).

O meu é um Intel Core i5-8400T. Pela ficha técnica da Intel, ele tem 6 núcleos e 6 threads, 1,7 GHz de base, até 3,3 GHz no turbo e TDP de 35 W, o que explica o consumo baixo. Para descobrir o seu sem abrir a máquina, basta um comando no shell do Proxmox:

root@pve:~# lscpu | grep "Model name"
Model name:      Intel(R) Core(TM) i5-8400T CPU @ 1.70GHz

E para ver memória e discos:

free -h
lsblk -o NAME,SIZE,TYPE,MODEL

Como eu uso o espaço #

O SSD de 1 TB guarda o sistema e os containers. O HD de 1 TB é dedicado aos backups.

Com 24 GB de RAM e quase tudo em container LXC, a memória rende bastante. Expliquei essa escolha no post sobre LXC ou VM no Proxmox: container consome só o que o serviço usa, sem carregar um sistema operacional inteiro junto.

O que eu compraria de novo #

A própria máquina. Para um nó de homelab com serviços leves, o M720q entrega o que precisa: processador com núcleos de sobra para containers, memória suficiente para começar e consumo que deixa uma bateria pequena segurar tudo por horas. Contei no post sobre a EcoFlow como UPS que ela aguenta 8 horas com o homelab todo ligado, e isso só é possível porque o consumo é baixo.

O que eu faria diferente #

Olhando para trás, três coisas:

  1. Mais memória desde o início. RAM é o recurso que acaba primeiro num servidor de containers e máquinas virtuais. O limite oficial do M720q é de 32 GB, e é para lá que eu quero ir.
  2. Backup longe do servidor. Um HD de backup ao lado do servidor protege de um SSD que morre, mas não de um problema que atinja os dois. Eu aprendi isso do pior jeito: já perdi o SSD e o HD de backup juntos.
  3. Pensar no segundo nó. Um nó só significa que qualquer manutenção ou defeito para tudo.

O que vem a seguir #

A lista de compras é curta e tem ordem:

  • Mais memória para o M720q.
  • Um NAS para guardar os backups fora do servidor e para hospedar um Nextcloud, tirando os arquivos da família do Office 365.
  • Uma segunda máquina para montar um cluster Proxmox.

O cluster tem um detalhe importante que quem pensa em “só mais um nó” costuma ignorar: quórum. Pela documentação do Proxmox, cada nó tem um voto, e o cluster precisa da maioria dos votos para fazer mudanças. Com dois nós, se um cai, o outro sozinho não tem maioria e o cluster fica em modo somente leitura. A solução recomendada para dois nós é um QDevice, um terceiro voto que pode rodar num aparelho pequeno, como um Raspberry Pi ou o próprio NAS.

Resumindo #

  • Mini PCs corporativos usados são uma ótima base: baratos, silenciosos e econômicos.
  • No M720q, o limite é de 32 GB de RAM e dois discos (um NVMe e um SATA de 2,5").
  • Memória acaba primeiro. Se puder, comece com mais.
  • Backup no mesmo lugar do servidor não protege do pior cenário.
  • Cluster de dois nós precisa de um terceiro voto (QDevice).

Uma máquina pequena levou o meu homelab bem longe. O próximo passo não é trocar de máquina, é deixar de depender de uma só.

Fontes e documentação