NAS para homelab: o que olhar antes de comprar o primeiro

Vou comprar um NAS para backup e Nextcloud. Os critérios que uso para escolher: baias, discos CMR, memória, ZFS, rede e consumo, com as docs oficiais.

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NAS Synology de duas baias, visto de frente
NAS de duas baias da Synology. Foto: DYVER, CC BY-SA 4.0 (original).
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Um NAS está na minha lista de compras faz tempo. Hoje o homelab roda num ThinkCentre M720q com um SSD de 1 TB e um HD externo USB para os backups. Funciona, mas o próximo passo é um lugar próprio para guardar os backups e montar um Nextcloud.

Antes de comprar, montei a lista do que eu olharia num NAS para homelab. Ainda não comprei. Cito um modelo que está no meu radar, mas o foco são os critérios, com o que dizem as documentações oficiais. Se você também está escolhendo, talvez ajude.

Primeiro: para que vai servir #

Parece óbvio, mas muda tudo. Três usos comuns pedem máquinas bem diferentes:

  • Guardar arquivos e backups. Quase qualquer NAS dá conta. O que importa são as baias, os discos e a rede.
  • Rodar apps (Nextcloud, fotos, containers). Aqui CPU e memória passam a contar.
  • Servidor de mídia com transcodificação (Jellyfin, Plex). É o uso que mais pesa na CPU.

No meu caso são os dois primeiros: backup e Nextcloud. Escrever isso antes de olhar loja evita pagar por um processador que vai ficar parado.

Baias: compre pensando em dois anos #

O número de baias define quanto você pode crescer e que tipo de redundância dá para montar.

  • 1 baia: não tem redundância nenhuma. Se o disco morre, o que estava só ali se foi.
  • 2 baias: o mínimo para espelhar dois discos (RAID 1 ou espelho no ZFS).
  • 4 baias ou mais: permite RAID 5/6 ou RAID-Z, com mais espaço útil para a mesma proteção.

Vale lembrar que redundância não é backup. Espelhar dois discos protege contra a falha de um deles, não contra apagar um arquivo sem querer. Eu aprendi isso do pior jeito: perdi o SSD e o HD de backup juntos, e conto a história no post sobre backup com vzdump.

NAS de quatro baias com a tampa aberta e um disco puxado para fora
NAS de quatro baias com um disco fora. Foto: Korrupt (CC BY 4.0).

Discos: CMR, não SMR #

Esse é o detalhe que mais pega quem monta o primeiro NAS. Discos rígidos usam duas técnicas de gravação:

  • CMR (gravação convencional): grava cada trilha separada.
  • SMR (gravação com trilhas sobrepostas): cabe mais dado no mesmo prato, mas regravar fica lento.

Em uso normal de desktop, quase não dá para notar. Num arranjo de discos, a reconstrução depois de trocar um disco regrava o disco inteiro, e o SMR pode deixar esse processo muito lento. Em 2020 a Western Digital admitiu que alguns modelos da linha WD Red para NAS usavam SMR sem deixar isso claro. Depois disso, a marca separou as linhas: a WD Red Plus e a WD Red Pro são CMR, e a WD Red simples ficou com SMR.

CPU e memória: depende dos apps #

Para servir arquivos, um processador modesto basta. Para rodar apps, a conta muda.

  • Nextcloud: a documentação oficial pede no mínimo 128 MB de RAM por processo e recomenda 512 MB por processo. Com várias pessoas usando ao mesmo tempo, a memória some rápido.
  • ZFS: a documentação do Proxmox diz que o ZFS depende muito de memória e pede pelo menos 8 GB para começar, com a regra de 2 GiB de base mais 1 GiB por TiB de armazenamento. Se o NAS vai usar ZFS (TrueNAS, por exemplo), isso conta.
  • Mídia: a documentação do Jellyfin lista o Intel Quick Sync (QSV) entre os métodos de aceleração por hardware validados. Se o plano inclui transcodificar vídeo, uma CPU Intel com gráfico integrado faz diferença. Sem aceleração, tudo cai na CPU.

Memória que dá para expandir depois é um bom sinal. Alguns NAS prontos vêm com a memória soldada e sem slot livre.

NAS pronto ou montado em casa #

Os dois caminhos fazem sentido:

NAS pronto (Synology, QNAP etc.)Montado (mini PC ou PC com TrueNAS, OpenMediaVault)
ConfiguraçãoAssistente, quase tudo prontoVocê escolhe e configura cada parte
SistemaO do fabricanteLivre
ExpansãoLimitada ao modeloDepende do gabinete e da placa
ConsumoEm geral baixo, feito para ficar ligadoVaria muito com as peças
SuporteDo fabricanteComunidade e documentação

Se a ideia é ligar e esquecer, o pronto ganha. Se você já gosta de mexer no Proxmox, montar dá mais controle. Uma regra da documentação do Proxmox vale para os dois: ZFS não deve rodar em cima de uma controladora RAID de hardware com cache próprio. O ZFS precisa falar direto com os discos.

Um que está no meu radar: UniFi UNAS 2 #

Como a minha rede já é Ubiquiti (o roteador é um UDR), um modelo que chamou a minha atenção é o UniFi UNAS 2. Pela ficha técnica oficial:

  • 2 baias para discos de 3,5", com proteção em RAID 1;
  • CPU ARM Cortex-A55 de quatro núcleos a 1,7 GHz e 4 GB de memória;
  • uma porta de 2,5 GbE e uma porta USB-C de 5 Gbit/s;
  • alimentação por PoE++, com adaptador de 60 W na caixa, e consumo máximo de 60 W.

O preço da caixa é acessível. Na loja americana da Ubiquiti, ele aparecia por US$ 199 em agosto de 2026, e depois por US$ 214 com uma sobretaxa de memória e armazenamento, segundo o review do Dong Knows Tech. Aqui no Brasil, o valor muda com importação e impostos. Esse preço é sem discos.

E é nos discos que a conta pesa. Quando fui pesquisar, o problema não foi o NAS, foi o valor dos discos. Na prática, o orçamento de um NAS de duas baias é o aparelho mais dois discos, e o segundo número costuma ser o maior. Vale fazer a conta completa antes de decidir.

Pelos critérios acima, ele cobre bem backup e arquivos. Para mídia com transcodificação, a CPU ARM não é a escolha certa. E o RAID 1 é o único arranjo, o que para duas baias faz sentido.

Rede e consumo #

Duas coisas que só lembramos depois da compra:

  • Rede: a porta de 1 Gbit/s limita a cópia a pouco mais de 100 MB/s. Para backup noturno, dá conta. Se você move arquivos grandes o tempo todo, uma porta de 2,5 Gbit/s ajuda, mas só se o switch e a outra ponta acompanharem.
  • Consumo: o NAS fica ligado 24 horas. Cada watt a mais pesa na conta de luz, como mostrei no post sobre o custo de um homelab ligado 24h. Discos rígidos também consomem, então quatro discos não custam o mesmo que dois. Confira o consumo na ficha técnica.

E não esqueça da energia: o NAS precisa ficar no nobreak junto com o resto. Aqui o Proxmox, o modem e o roteador estão numa EcoFlow River 3 Plus, e o NAS entraria na mesma conta de autonomia.

A lista que vou usar #

Quando for comprar, é isto que vou conferir:

  1. Uso: backup e Nextcloud.
  2. Baias: pelo menos duas, para espelhar. O UNAS 2 está na lista.
  3. Orçamento: o NAS e os discos. Os discos costumam ser a parte mais cara.
  4. Discos: CMR, conferidos na ficha técnica do modelo exato.
  5. Memória: suficiente para o Nextcloud e, se for ZFS, para o ZFS. De preferência expansível.
  6. Rede: 1 Gbit/s serve para começar.
  7. Consumo: baixo, porque fica ligado o tempo todo.
  8. Backup do próprio NAS: uma cópia fora dele. O NAS vai guardar os backups, mas ele também precisa de backup.

Resumindo #

  • Defina o uso antes de olhar preço. Arquivos, apps e mídia pedem máquinas diferentes.
  • Duas baias é o mínimo para ter redundância, e redundância não substitui backup.
  • Discos CMR para arranjos. Confira na ficha técnica.
  • Memória pesa para apps e para o ZFS. ECC é recomendada com ZFS.
  • Rede e consumo importam numa máquina que nunca desliga.
  • Some o NAS e os discos. No UNAS 2, por exemplo, a caixa é acessível; os discos pesam mais.

Quando o NAS chegar, volto aqui para contar qual escolhi e por quê.

Fontes e documentação