NAS para homelab: o que olhar antes de comprar o primeiro
Vou comprar um NAS para backup e Nextcloud. Os critérios que uso para escolher: baias, discos CMR, memória, ZFS, rede e consumo, com as docs oficiais.
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Um NAS está na minha lista de compras faz tempo. Hoje o homelab roda num ThinkCentre M720q com um SSD de 1 TB e um HD externo USB para os backups. Funciona, mas o próximo passo é um lugar próprio para guardar os backups e montar um Nextcloud.
Antes de comprar, montei a lista do que eu olharia num NAS para homelab. Ainda não comprei. Cito um modelo que está no meu radar, mas o foco são os critérios, com o que dizem as documentações oficiais. Se você também está escolhendo, talvez ajude.
Primeiro: para que vai servir #
Parece óbvio, mas muda tudo. Três usos comuns pedem máquinas bem diferentes:
- Guardar arquivos e backups. Quase qualquer NAS dá conta. O que importa são as baias, os discos e a rede.
- Rodar apps (Nextcloud, fotos, containers). Aqui CPU e memória passam a contar.
- Servidor de mídia com transcodificação (Jellyfin, Plex). É o uso que mais pesa na CPU.
No meu caso são os dois primeiros: backup e Nextcloud. Escrever isso antes de olhar loja evita pagar por um processador que vai ficar parado.
Baias: compre pensando em dois anos #
O número de baias define quanto você pode crescer e que tipo de redundância dá para montar.
- 1 baia: não tem redundância nenhuma. Se o disco morre, o que estava só ali se foi.
- 2 baias: o mínimo para espelhar dois discos (RAID 1 ou espelho no ZFS).
- 4 baias ou mais: permite RAID 5/6 ou RAID-Z, com mais espaço útil para a mesma proteção.
Vale lembrar que redundância não é backup. Espelhar dois discos protege contra a falha de um deles, não contra apagar um arquivo sem querer. Eu aprendi isso do pior jeito: perdi o SSD e o HD de backup juntos, e conto a história no post sobre backup com vzdump.

Discos: CMR, não SMR #
Esse é o detalhe que mais pega quem monta o primeiro NAS. Discos rígidos usam duas técnicas de gravação:
- CMR (gravação convencional): grava cada trilha separada.
- SMR (gravação com trilhas sobrepostas): cabe mais dado no mesmo prato, mas regravar fica lento.
Em uso normal de desktop, quase não dá para notar. Num arranjo de discos, a reconstrução depois de trocar um disco regrava o disco inteiro, e o SMR pode deixar esse processo muito lento. Em 2020 a Western Digital admitiu que alguns modelos da linha WD Red para NAS usavam SMR sem deixar isso claro. Depois disso, a marca separou as linhas: a WD Red Plus e a WD Red Pro são CMR, e a WD Red simples ficou com SMR.
CPU e memória: depende dos apps #
Para servir arquivos, um processador modesto basta. Para rodar apps, a conta muda.
- Nextcloud: a documentação oficial pede no mínimo 128 MB de RAM por processo e recomenda 512 MB por processo. Com várias pessoas usando ao mesmo tempo, a memória some rápido.
- ZFS: a documentação do Proxmox diz que o ZFS depende muito de memória e pede pelo menos 8 GB para começar, com a regra de 2 GiB de base mais 1 GiB por TiB de armazenamento. Se o NAS vai usar ZFS (TrueNAS, por exemplo), isso conta.
- Mídia: a documentação do Jellyfin lista o Intel Quick Sync (QSV) entre os métodos de aceleração por hardware validados. Se o plano inclui transcodificar vídeo, uma CPU Intel com gráfico integrado faz diferença. Sem aceleração, tudo cai na CPU.
Memória que dá para expandir depois é um bom sinal. Alguns NAS prontos vêm com a memória soldada e sem slot livre.
NAS pronto ou montado em casa #
Os dois caminhos fazem sentido:
| NAS pronto (Synology, QNAP etc.) | Montado (mini PC ou PC com TrueNAS, OpenMediaVault) | |
|---|---|---|
| Configuração | Assistente, quase tudo pronto | Você escolhe e configura cada parte |
| Sistema | O do fabricante | Livre |
| Expansão | Limitada ao modelo | Depende do gabinete e da placa |
| Consumo | Em geral baixo, feito para ficar ligado | Varia muito com as peças |
| Suporte | Do fabricante | Comunidade e documentação |
Se a ideia é ligar e esquecer, o pronto ganha. Se você já gosta de mexer no Proxmox, montar dá mais controle. Uma regra da documentação do Proxmox vale para os dois: ZFS não deve rodar em cima de uma controladora RAID de hardware com cache próprio. O ZFS precisa falar direto com os discos.
Um que está no meu radar: UniFi UNAS 2 #
Como a minha rede já é Ubiquiti (o roteador é um UDR), um modelo que chamou a minha atenção é o UniFi UNAS 2. Pela ficha técnica oficial:
- 2 baias para discos de 3,5", com proteção em RAID 1;
- CPU ARM Cortex-A55 de quatro núcleos a 1,7 GHz e 4 GB de memória;
- uma porta de 2,5 GbE e uma porta USB-C de 5 Gbit/s;
- alimentação por PoE++, com adaptador de 60 W na caixa, e consumo máximo de 60 W.
O preço da caixa é acessível. Na loja americana da Ubiquiti, ele aparecia por US$ 199 em agosto de 2026, e depois por US$ 214 com uma sobretaxa de memória e armazenamento, segundo o review do Dong Knows Tech. Aqui no Brasil, o valor muda com importação e impostos. Esse preço é sem discos.
E é nos discos que a conta pesa. Quando fui pesquisar, o problema não foi o NAS, foi o valor dos discos. Na prática, o orçamento de um NAS de duas baias é o aparelho mais dois discos, e o segundo número costuma ser o maior. Vale fazer a conta completa antes de decidir.
Pelos critérios acima, ele cobre bem backup e arquivos. Para mídia com transcodificação, a CPU ARM não é a escolha certa. E o RAID 1 é o único arranjo, o que para duas baias faz sentido.
Rede e consumo #
Duas coisas que só lembramos depois da compra:
- Rede: a porta de 1 Gbit/s limita a cópia a pouco mais de 100 MB/s. Para backup noturno, dá conta. Se você move arquivos grandes o tempo todo, uma porta de 2,5 Gbit/s ajuda, mas só se o switch e a outra ponta acompanharem.
- Consumo: o NAS fica ligado 24 horas. Cada watt a mais pesa na conta de luz, como mostrei no post sobre o custo de um homelab ligado 24h. Discos rígidos também consomem, então quatro discos não custam o mesmo que dois. Confira o consumo na ficha técnica.
E não esqueça da energia: o NAS precisa ficar no nobreak junto com o resto. Aqui o Proxmox, o modem e o roteador estão numa EcoFlow River 3 Plus, e o NAS entraria na mesma conta de autonomia.
A lista que vou usar #
Quando for comprar, é isto que vou conferir:
- Uso: backup e Nextcloud.
- Baias: pelo menos duas, para espelhar. O UNAS 2 está na lista.
- Orçamento: o NAS e os discos. Os discos costumam ser a parte mais cara.
- Discos: CMR, conferidos na ficha técnica do modelo exato.
- Memória: suficiente para o Nextcloud e, se for ZFS, para o ZFS. De preferência expansível.
- Rede: 1 Gbit/s serve para começar.
- Consumo: baixo, porque fica ligado o tempo todo.
- Backup do próprio NAS: uma cópia fora dele. O NAS vai guardar os backups, mas ele também precisa de backup.
Resumindo #
- Defina o uso antes de olhar preço. Arquivos, apps e mídia pedem máquinas diferentes.
- Duas baias é o mínimo para ter redundância, e redundância não substitui backup.
- Discos CMR para arranjos. Confira na ficha técnica.
- Memória pesa para apps e para o ZFS. ECC é recomendada com ZFS.
- Rede e consumo importam numa máquina que nunca desliga.
- Some o NAS e os discos. No UNAS 2, por exemplo, a caixa é acessível; os discos pesam mais.
Quando o NAS chegar, volto aqui para contar qual escolhi e por quê.
Fontes e documentação
- pve.proxmox.com/wiki/ZFS_on_Linux
- docs.nextcloud.com/server/latest/admin_manual/installation/system_requirements.html
- jellyfin.org/docs/general/post-install/transcoding/hardware-acceleration/
- blocksandfiles.com/2020/04/20/western-digital-smr-drives-statement/
- techspecs.ui.com/unifi/integrations/unas-2
- dongknows.com/ubiquiti-unas-2-review/