Quanto custa um homelab ligado 24h: a conta com 30 a 50 W

Meu homelab consome de 30 a 50 W o tempo todo. Mostro a conta de kWh e de reais, como medir o consumo real e o que ajuda a manter esse número baixo.

Publicado
Leitura
6 min
Medidor de energia de tomada ligado na parede, com visor digital mostrando o consumo
Medidor de energia de tomada. Foto: Cjp24, CC BY-SA 3.0 (original).
Neste post

Desde que coloquei a EcoFlow River 3 Plus como UPS do homelab, olho para um número com mais frequência do que deveria: os watts que saem dela. No dia a dia, o modem de fibra, o roteador Wi-Fi e o servidor do Proxmox somam entre 30 W e 50 W. Parece pouco, mas é um consumo que não para nunca, 24 horas por dia, o ano inteiro.

A pergunta que todo mundo faz quando conto do homelab é: “e a conta de luz?”. Neste post mostro como faço essa conta, com a minha faixa de consumo, e o que dá para fazer para ela ficar baixa.

A conta em três linhas #

Energia elétrica é cobrada em kWh, ou seja, potência vezes tempo. Para um equipamento que nunca desliga:

  1. Potência média em watts × 24 horas = Wh por dia.
  2. Wh por dia × 30 dias ÷ 1.000 = kWh por mês.
  3. kWh por mês × tarifa da sua conta = custo mensal.

Com a minha faixa de 30 a 50 W, fica assim:

Consumo médioPor diaPor mês (30 dias)Por ano
30 W0,72 kWh21,6 kWhcerca de 263 kWh
40 W0,96 kWh28,8 kWhcerca de 350 kWh
50 W1,2 kWh36 kWhcerca de 438 kWh

Para chegar em reais, multiplique pela tarifa que aparece na sua conta de luz, já com impostos. Ela muda de distribuidora para distribuidora e também com a bandeira tarifária do mês, então não vale copiar o número de outra pessoa. Como exemplo de conta (troque pelo valor da sua): a R$ 1,00 por kWh, 21,6 kWh viram R$ 21,60 por mês, e 36 kWh viram R$ 36,00.

Uma forma rápida de lembrar: cada watt ligado o tempo todo custa cerca de 0,72 kWh por mês. Multiplique isso pela sua tarifa e você sabe quanto vale cada watt que você corta.

Medir, não chutar #

A conta acima só vale se a potência média estiver certa. E aqui vale o mesmo que eu disse no teste de autonomia da EcoFlow: meça, não calcule a partir da ficha técnica.

Etiqueta de fonte não serve para isso. A fonte de um mini PC diz quanto ela aguenta entregar, não quanto o computador consome. Um servidor parado, com containers leves, gasta uma fração disso.

Os jeitos práticos de medir:

  • A tela da própria estação ou nobreak. Estações portáteis como a River 3 Plus mostram a potência de saída na tela. Se modem, roteador e servidor estão todos ligados nela, como no meu caso, o número já é o total da “cadeia” inteira.
  • Uma tomada medidora. Ela fica entre a parede e o equipamento e mostra watts e kWh acumulados. Deixe uns dias ligada: o kWh acumulado dividido pelas horas dá a média real, com os picos incluídos.
  • O próprio Proxmox não mede consumo de energia. O painel mostra CPU e memória, que ajudam a entender por que o consumo subiu, mas não substituem um medidor.

O ideal é medir por alguns dias, não por alguns minutos. Um backup noturno, uma atualização ou um container que resolve indexar tudo de madrugada mudam a média.

Onde está o consumo #

No meu caso, são três equipamentos:

  • o modem de fibra do provedor;
  • o roteador Wi-Fi;
  • o Lenovo ThinkCentre M720q, que roda o Proxmox (contei sobre ele no post do M720q no homelab).

O modem e o roteador ficariam ligados de qualquer jeito, com ou sem homelab. Então, se a pergunta é “quanto o homelab custa a mais”, o justo é olhar principalmente o servidor. Mesmo assim, eu prefiro olhar a cadeia inteira, porque é ela que precisa ficar de pé numa queda de energia.

Um mini PC corporativo como o M720q é um dos motivos de o número ser baixo. É a mesma lógica de escolher LXC em vez de VM para quase tudo: menos recurso desperdiçado, menos energia gasta para fazer a mesma coisa.

Como manter o consumo baixo #

Algumas coisas fazem diferença de verdade num homelab pequeno:

  1. Hardware certo para a carga. Um mini PC com CPU de baixo consumo dá conta de dezenas de containers leves. Servidor de rack usado, com duas fontes e vários ventiladores, é ótimo para aprender, mas a conta chega todo mês.
  2. Menos máquinas ligadas. Juntar serviços num nó só, em containers, costuma gastar menos do que três computadores velhos ligados.
  3. Desligar o que não usa. Container ou VM que você subiu para testar e esqueceu continua consumindo CPU e memória. Vale uma revisão de tempos em tempos.
  4. Discos. HD mecânico girando o tempo todo soma alguns watts. Se ele só é usado para backup uma vez por dia, vale ver se ele pode dormir no resto do tempo.

Para quem quer investigar mais a fundo no Linux, o powertop mostra quais processos e dispositivos mais acordam a CPU:

apt install powertop
powertop

Consumo e autonomia andam juntos #

Tem um bônus em manter o consumo baixo: a bateria dura mais. A River 3 Plus tem 286 Wh e, com o meu homelab, segurou 8 horas no teste que fiz. Se o consumo dobrasse, a autonomia cairia mais ou menos pela metade.

Ou seja, cada watt cortado aparece duas vezes: na conta de luz e no tempo que o homelab aguenta sem energia da rua. Quando a energia caiu aqui por quase três horas, sobrou bateria com folga justamente porque a carga é pequena.

Resumindo #

  • Faça a conta com a sua tarifa: watts × 24 × 30 ÷ 1.000 dá os kWh do mês.
  • Meça a potência real por alguns dias, com a tela do nobreak ou uma tomada medidora.
  • Separe o que ficaria ligado de qualquer jeito (modem e roteador) do que é custo do homelab.
  • Hardware pequeno e containers mantêm o consumo baixo e ainda aumentam a autonomia na queda de energia.

No meu caso, a faixa de 30 a 50 W dá de 21,6 a 36 kWh por mês. É um custo que eu conheço e acompanho, e que vale pelo que o homelab entrega.

Fontes e documentação