Quanto custa um homelab ligado 24h: a conta com 30 a 50 W
Meu homelab consome de 30 a 50 W o tempo todo. Mostro a conta de kWh e de reais, como medir o consumo real e o que ajuda a manter esse número baixo.
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Desde que coloquei a EcoFlow River 3 Plus como UPS do homelab, olho para um número com mais frequência do que deveria: os watts que saem dela. No dia a dia, o modem de fibra, o roteador Wi-Fi e o servidor do Proxmox somam entre 30 W e 50 W. Parece pouco, mas é um consumo que não para nunca, 24 horas por dia, o ano inteiro.
A pergunta que todo mundo faz quando conto do homelab é: “e a conta de luz?”. Neste post mostro como faço essa conta, com a minha faixa de consumo, e o que dá para fazer para ela ficar baixa.
A conta em três linhas #
Energia elétrica é cobrada em kWh, ou seja, potência vezes tempo. Para um equipamento que nunca desliga:
- Potência média em watts × 24 horas = Wh por dia.
- Wh por dia × 30 dias ÷ 1.000 = kWh por mês.
- kWh por mês × tarifa da sua conta = custo mensal.
Com a minha faixa de 30 a 50 W, fica assim:
| Consumo médio | Por dia | Por mês (30 dias) | Por ano |
|---|---|---|---|
| 30 W | 0,72 kWh | 21,6 kWh | cerca de 263 kWh |
| 40 W | 0,96 kWh | 28,8 kWh | cerca de 350 kWh |
| 50 W | 1,2 kWh | 36 kWh | cerca de 438 kWh |
Para chegar em reais, multiplique pela tarifa que aparece na sua conta de luz, já com impostos. Ela muda de distribuidora para distribuidora e também com a bandeira tarifária do mês, então não vale copiar o número de outra pessoa. Como exemplo de conta (troque pelo valor da sua): a R$ 1,00 por kWh, 21,6 kWh viram R$ 21,60 por mês, e 36 kWh viram R$ 36,00.
Uma forma rápida de lembrar: cada watt ligado o tempo todo custa cerca de 0,72 kWh por mês. Multiplique isso pela sua tarifa e você sabe quanto vale cada watt que você corta.
Medir, não chutar #
A conta acima só vale se a potência média estiver certa. E aqui vale o mesmo que eu disse no teste de autonomia da EcoFlow: meça, não calcule a partir da ficha técnica.
Etiqueta de fonte não serve para isso. A fonte de um mini PC diz quanto ela aguenta entregar, não quanto o computador consome. Um servidor parado, com containers leves, gasta uma fração disso.
Os jeitos práticos de medir:
- A tela da própria estação ou nobreak. Estações portáteis como a River 3 Plus mostram a potência de saída na tela. Se modem, roteador e servidor estão todos ligados nela, como no meu caso, o número já é o total da “cadeia” inteira.
- Uma tomada medidora. Ela fica entre a parede e o equipamento e mostra watts e kWh acumulados. Deixe uns dias ligada: o kWh acumulado dividido pelas horas dá a média real, com os picos incluídos.
- O próprio Proxmox não mede consumo de energia. O painel mostra CPU e memória, que ajudam a entender por que o consumo subiu, mas não substituem um medidor.
O ideal é medir por alguns dias, não por alguns minutos. Um backup noturno, uma atualização ou um container que resolve indexar tudo de madrugada mudam a média.
Onde está o consumo #
No meu caso, são três equipamentos:
- o modem de fibra do provedor;
- o roteador Wi-Fi;
- o Lenovo ThinkCentre M720q, que roda o Proxmox (contei sobre ele no post do M720q no homelab).
O modem e o roteador ficariam ligados de qualquer jeito, com ou sem homelab. Então, se a pergunta é “quanto o homelab custa a mais”, o justo é olhar principalmente o servidor. Mesmo assim, eu prefiro olhar a cadeia inteira, porque é ela que precisa ficar de pé numa queda de energia.
Um mini PC corporativo como o M720q é um dos motivos de o número ser baixo. É a mesma lógica de escolher LXC em vez de VM para quase tudo: menos recurso desperdiçado, menos energia gasta para fazer a mesma coisa.
Como manter o consumo baixo #
Algumas coisas fazem diferença de verdade num homelab pequeno:
- Hardware certo para a carga. Um mini PC com CPU de baixo consumo dá conta de dezenas de containers leves. Servidor de rack usado, com duas fontes e vários ventiladores, é ótimo para aprender, mas a conta chega todo mês.
- Menos máquinas ligadas. Juntar serviços num nó só, em containers, costuma gastar menos do que três computadores velhos ligados.
- Desligar o que não usa. Container ou VM que você subiu para testar e esqueceu continua consumindo CPU e memória. Vale uma revisão de tempos em tempos.
- Discos. HD mecânico girando o tempo todo soma alguns watts. Se ele só é usado para backup uma vez por dia, vale ver se ele pode dormir no resto do tempo.
Para quem quer investigar mais a fundo no Linux, o powertop mostra quais processos e dispositivos mais acordam a CPU:
apt install powertop
powertop
Consumo e autonomia andam juntos #
Tem um bônus em manter o consumo baixo: a bateria dura mais. A River 3 Plus tem 286 Wh e, com o meu homelab, segurou 8 horas no teste que fiz. Se o consumo dobrasse, a autonomia cairia mais ou menos pela metade.
Ou seja, cada watt cortado aparece duas vezes: na conta de luz e no tempo que o homelab aguenta sem energia da rua. Quando a energia caiu aqui por quase três horas, sobrou bateria com folga justamente porque a carga é pequena.
Resumindo #
- Faça a conta com a sua tarifa: watts × 24 × 30 ÷ 1.000 dá os kWh do mês.
- Meça a potência real por alguns dias, com a tela do nobreak ou uma tomada medidora.
- Separe o que ficaria ligado de qualquer jeito (modem e roteador) do que é custo do homelab.
- Hardware pequeno e containers mantêm o consumo baixo e ainda aumentam a autonomia na queda de energia.
No meu caso, a faixa de 30 a 50 W dá de 21,6 a 36 kWh por mês. É um custo que eu conheço e acompanho, e que vale pelo que o homelab entrega.